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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Inquietude Infantil :Transtorno do Déficit de Atenção




Comportamento
Transtorno do Déficit de Atenção


(Transtorno do Déficit de Atenção com hiperatividade ou Distúrbio do déficit de atenção)

O que é?


O TDA/H Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade ou DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas e ambientais, que surge na infância e costuma acompanhar o indivíduo por toda a sua vida. Costuma acometer de 3 a 5% de crianças.

Sintomas


· Desatenção

· Inquietude

· Impulsividade

· Hiperatividade

· Dificuldade de concentração em atividades muito longas

· Distrai-se facilmente com estímulos externos como ruídos e movimentações

· Distrai-se com estímulos internos – “o pensamento voa”

· Erra muito por distração

· São esquecidas

· Não conseguem organizar seu material

· Dificuldade em planejar tarefas


Comumente, as crianças são taxadas de avoadas, dispersas, desinteressadas, “fora de órbita”, atrapalhadas e inquietas ao extremo, não param. São crianças que dificilmente aceitam regras, limites e o famoso “não”. Mudam constantemente de atividade, não conseguindo concentrar-se por muito tempo. Na idade adulta, este transtorno é associado a problemas como uso de drogas lícitas, ilícitas, além de depressão.

Um exemplo bastante elucidativo é dado pelo Dr. José Salomão Schwartzman, neurologista, especialista em neurologia infantil. Segundo ele é necessário observar o ambiente em que a criança, ou adulto, vive e sua interação nele, lembrando que o só se configura quando atrapalha as AVDs (atividades da vida diária).

“Imagine duas crianças hiperativas de nove anos de idade. A primeira, um menino, que mora no campo, lenhador que derruba um número bem maior de árvores por minuto do que a média e é campeão de seu estado nesta atividade. A segunda, uma menina japonesa que vive em um minúsculo apartamento cheio de peças de porcelana. Provavelmente esta precisará ser medicada, em função do contexto em que vive”.

TDA/H e o cérebro


Estudos mostram que os portadores do transtorno têm uma falha da conexão da região central orbital do cérebro com o restante dele. Essa área frontal é responsável pela inibição de comportamentos considerados inadequados. Há uma
alteração no funcionamento dos neurotransmissores e suas conexões.

Causas


· Hereditariedade

O aspecto genético em si não é responsável direto pelo transtorno, mas ele aponta para uma pré-disposição ao TDA/H. A proporção de portadores em famílias que apresentam o problema é de 2 a 10 vezes maior, o que aponta para a recorrência familiar. Essa predisposição genética envolve vários genes, que podem ocasionar diferentes níveis de atividade, com respostas diferentes em cada indivíduo.

· Problemas pré-natais (durante a gestação)

· Substâncias ingeridas na gravidez – Apesar de não definir uma relação direta de causa e efeito, estudos mostram que a ingestão de drogas e álcool durante a gestação pode causar alterações na região frontal orbital, o que aumenta a chance do bebê desenvolver o transtorno.

· Saúde materna – Aspectos como hipertensão ou diabetes por exemplo

· Idade materna

· Problemas perinatais (durante o parto até um mês de idade)

Estudos mostram que mães que passaram por algum problema ou trauma no parto tais como: toxemia, eclâmpsia, hemorragia, trabalho de parto demorado, têm mais chances de terem filhos portadores do TDA/H.

· Exposição a chumbo

Crianças que sofreram intoxicação por chumbo podem apresentar sintomas do TDA/H.

· Problemas Familiares

Alguns teóricos apontam os problemas familiares (discussões, baixa instrução dos pais, nível sócio econômico) poderiam causar o TDA/H, mas conclusões levam a crer que estes podem agravar, mas não causar o problema.

· Pré maturidade

· Pós maturidade

· Outras possíveis causas


Todas elas foram cientificamente testadas e nada se provou concretamente

· Corante amarelo

· Aspartame

· Luz artificial

· Deficiência hormonal (tireóide)

· Deficiências vitamínicas

Comorbidades (Quanto mais de uma patologia aparece ao mesmo tempo)

Em diversos distúrbios neurológicos, psicológicos e psiquiátricos, o diagnóstico é difícil, pois não é pontual, ou seja, não há um exame que detecte o transtorno. É um diagnóstico multidsisciplinar, onde vários especialistas são envolvidos para se chegar a um diagnóstico. Outro aspecto que dificulta o diagnóstico é a questão da comorbidade. O TDA/H aparece isoladamente em somente 31% dos casos. No restante, aparece uma ou mais patologias concomitantes o que muitas vezes pode levar a um diagnóstico errôneo. Em 34% dos casos aparece junto com transtornos ansiosos, em 40% com TDO (transtorno desafiador opositor), em 11% com tiques nervosos, em 4% com transtornos do humor, em 14% com transtornos de conduta. As comorbidades ultrapassam os 100% pois em muitos casos há mais do que 2 patologias envolvidas.

Diagnóstico

Há um guia de diagnóstico, extraído do Manual de Diagnóstico e Estatística - IV Edição (DSM-IV) da Associação Psiquiátrica Americana, onde pais, cuidadores e educadores respondem a um questionário que analisa aspectos pertinentes ao dia-a-dia da criança. São analisadas questões a respeito de atenção, concentração, organização, agitação, dificuldades em seguir instruções, dentre outras. Depois são feitas diversas intersecções entre linhas e colunas analisando-se a incidência de cada aspecto. Tudo isso analisado por um especialista que é o único apto para dar o diagnóstico final.

As pessoas que apresentam TDA/H, crianças ou adultos, vivenciam muitas dificuldades em seu cotidiano. São pessoas que têm muita dificuldade em organizar seus materiais, em terminar tarefas planejadas. Os adultos com TDAH costumam ter dificuldade de organizar e planejar suas atividades do dia-a-dia. Por exemplo, pode ser difícil para uma pessoa com TDA/H determinar o que é mais importante dentre muitas coisas que tem para fazer, escolher o que vai fazer primeiro e o que pode deixar para depois.

Em conseqüência disso, quem TDA/H fica muito “estressado” quando se vê sobrecarregado (e é muito comum que se sobrecarregue com freqüência, uma vez que assume vários compromissos diferentes), pois não sabe por onde começar e tem medo de não conseguir dar conta de tudo. Os indivíduos com TODA/H acabam deixando trabalhos pela metade, interrompem no meio o que estão fazendo e começam outra coisa, só voltando ao trabalho anterior bem mais tarde do que o pretendido ou então se esquecendo dele.

Assim, o portador fica com dificuldade para realizar sozinho suas tarefas, principalmente quando são muitas, e o tempo todo precisa ser lembrado pelos outros sobre o que tem para fazer. Isso tudo pode causar problemas na faculdade, no trabalho ou nos relacionamentos com outras pessoas.

Tratamento


Medicamento
Há muita polêmica em torno da medicação do TDA/H. Têm-se falado que está ocorrendo um uso abusivo e indiscriminado dos medicamentos que podem auxiliar no tratamento do portador do TDA/H, que ao mesmo tempo em que auxiliam em problemas como o da concentração por exemplo, também têm muitos efeitos colaterais. Um aspecto importante é o de que nem todo o caso pode ser beneficiado com o medicamento. Aquele grupo em que o TDA/H aparece sozinho, sem comorbidades, pesquisas mostram que a medicação tem efeito muito bom, porém por um curto período de tempo. Por outro lado, quando há comorbidades é preciso tratar conjuntamente as outras patologias, sejam com medicamento e/ou terapia. Há pesquisas que mostram que a criança, muitas vezes, tem uma perda na estatura final. Por isso, muitos especialistas não recomendam o uso dos medicamentos em idade de crescimento.

Tipos de medicamentos mais utilizados


Metilfenidato – Ritalina, Ritalina LA e Concerta (1ª escolha)
Antidepressivos tricíclicos – Tofranil

Terapia
A terapia é muito eficiente em grande parte dos casos, principalmente aqueles onde encontramos comorbidades com distúrbios ansiosos e TDO (transtorno desafiador opositor).

Biofeedback (ou neurofeedback)

Uma novidade no tratamento está no biofeedback. A criança ou adulto é conectada a sensores e trabalhada em diversas atividades, como videogames, dependendo da dificuldade e da idade da criança. No caso de déficit de atenção por exemplo, quando a criança distrai-se, a atividade não é concluída e portanto não ganha os pontos. Ou seja, cada vez que o cérebro responde, corretamente ao estímulo esperado, recebe um reforço positivo. Esse tratamento é caro e longo. Para começar a dar resultados são utilizadas, pelo menos, de 20 sessões. O interessante neste caso é que o paciente vai assimilando e extrapolando suas reações para as atividades da vida diária. É um processo de aprendizagem, que depois de treinado, assimilado e bastante utilizado passa a facilitar a vida do paciente.

Outras ações


Escola família e professores


A escolha da escola é um fator fundamental para o trabalho com o TDA/H. É preciso que o professor conheça o distúrbio e juntamente com a escola e família tracem estratégias para adaptar o ambiente à criança.

O aluno com TDA/H precisa sentar próximo à professora, longe da janela, por onde muitos estímulos chegam. A sala de aula deve ser o mais “clean” possível. Tudo para evitar que a criança disperse.

Ao contrário do que se pensa, nas palavras da Dra. Ana Beatriz B. Silva, psiquiatra e especialista em medicina do comportamento, “o problema não é aquele que não presta atenção em nada, mas sim, aquele que presta atenção em tudo, o tempo todo”.

Para saber mais: http://www.tdah.org.br

Karen Kaufmann Sacchetto
Pedagoga
Especialista em Distúrbios de Aprendizagem
Mestranda em Distúrbios do Desenvolvimento

terça-feira, 28 de junho de 2011

A criança hiperativa




Precisamos deixar claro que agitação não é sinônimo de hiperatividade ou Transtorno do Déficit de Atenção por Hiperatividade - (TDAH), este é um transtorno mental e, em geral, em crianças com idade escolar.

Essas crianças são vistas como problemáticas pelas pessoas que convivem com ela, o que gera muita angústia para seus pais pela falta de disciplina, dificuldade de concentração, de respeitar regras, irritabilidade, etc.

Crianças indisciplinadas, birrentas, malcriadas, falantes e muito espertas, principalmente para o que lhes interessa, são vistas popularmente como hiperativas, termo usado erroneamente.

Como já mencionei, a hiperatividade é um transtorno, uma vez que causa muitos problemas para a criança, principalmente de relacionamento e, que quando tratado por especialistas como neurologista, psiquiatra, psicólogo, ou outros profissionais especializados nessa área, pode ser bem administrado.

As crianças inquietas devem ser observadas pelos pais, porque muitas vezes esses comportamentos estão ligados a problemas sociais ou familiares ou até mesmo físico.

Um exemplo disto é o de um bebê muito chorão e agitado não satisfeito com nada e que não responda a nenhum estímulo. A mãe preocupada, leva-o ao médico e o profissional constata uma surdez. Na gestação a mãe teve rubéola o que gerou o problema do bebê, ou seja, o bebê tem um problema físico, o que o deixa irritado e agitado.

Já foi constatado que mães que tiveram uma gravidez estressante têm crianças mais agitadas.

O que percebo é que a maioria das crianças que são muito estimuladas desde bebê, são extremamente agitadas e mal comportadas.Toda criança precisa ser respeitada e por mais energia que tenha, necessita de descanso.

Muito estímulo é prejudicial.

Estes estímulos também estão ligados a atividades extras que tomam conta de todos os dias da sua semana e ainda obrigam a criança a dar conta do recado.

Toda criança precisa estudar, praticar esportes, ou podem ter outras atividades extra-curriculares, como fazer inglês, etc. Mas precisam, principalmente, brincar e descansar para aliviar suas tensões e isso deve ser respeitado.

Seu filho poderá ter Transtorno de Défict de Atenção por Hiperatividade se apresentar esses comportamentos juntos:

•Dificuldade de concentração (vive no mundo da lua)
•Não escuta quando lhe dirigem a palavra
•Não aceita tarefas que envolvam trabalho mental
•Não se envolve em brincadeiras e, não as mantém por muito tempo
•Tem dificuldade em aguardar sua vez
•Fala em demasia
•Nunca pára sentado
•Não aceita regras
•Está ligado dia e noite
Você deve ter percebido que talvez seu filho se encaixe em um desses tópicos só que: tudo isso deve acontecer em casa, na casa do amigo, na escola, no passeio, ou seja, em situações agradáveis e desagradáveis. Neste caso procure ajuda de um profissional.

Caso contrário verifique se os fatores ambientais não estão favoráveis, como a escola, desentendimento dos pais, perda de alguém importante, etc.

Muitas vezes a agitação da criança é o reflexo do que ela está vivendo no seu dia a dia.

Mirene F. M. A. Marques