Abordagem do sujeito e as modificações que ocorrem no processo envolvidos na relação do individuo com o mundo.
A Psicologia do Desenvolvimento
Desenvolvimento é o processo pelo qual o individuo constrói ativamente, nas relações que estabelece com o ambiente físico e social, suas características.
A psicologia do desenvolvimento pretende estudar como nascem e como se desenvolvem as funções psicológicas que distinguem o homem de outras espécies.
A Psicologia da Aprendizagem
A aprendizagem é o processo através do qual a criança se apropria ativamente do conteúdo da experiência humana, daquilo que o seu grupo social conhece.
APsicologia da aprendizagem estuda o complexo processo pelo qual as formas de pensar e os conhecimentos existentes numa sociedade são apropriados pela criança.
A Psicologia na Educação
A educação começa muito antes da vida escola, não estando a tarefa de ensinar apenas nas mão dos professores.
Daí a importância de se buscar maximizar esses resultados, colocando a serviço da educação e do ensino o conjunto dos conhecimentos psicológicos sobre as bases do desenvolvimento e da aprendizagem. Com eles, o professor estará em posição mais favorável para planejar a sua ação.
A criança enquanto ser em transformação
1. Concepções de desenvolvimento: correntes teóricas e repercussões na escola
1.1.- A Concepção Inatista
A concepção Inatista parte do pressuposto de que os eventos que ocorrem após o nascimento não são essenciais e/ou importantes para o desenvolvimento, parte da concepção de que o homem "já nasce pronto". E tal concepção gera preconceitos prejudiciais ao trabalho em sala de aula.
1.2.- A Concepção Ambientalista
Atribuição a um imenso poder ao ambiente no desenvolvimento humano.
A introdução de teorias ambientalistas na sala de aula teve o mérito de chamar a atenção dos educadores para a importância do planejamento de ensino.
Por outro lado, as teorias ambientalistas fez com que a educação fosse sendo entendida como tecnologia, ficando de lado a reflexão filosófica sobre a sua prática..
Não na concepção ambientalista, preocupação em explicar os processo através dos quais a criança raciocina e que estariam presentes na forma como ela se apropria de conhecimentos.
Resumo:Cláudia Davis e Zilma de Oliveira tratam neste livro dos principais temas da Psicologia do Desenvolvimento e da Psicologia da Aprendizagem, nas suas implicações com a educação e o ensino. Com linguagem precisa e rigorosa, discutem as teorias inatistas e ambientalistas, buscando auxiliar os estudantes a compreenderem por que razões optam pela concepção interacionista, tal como propõe Piaget e Vigotsky.
Cláudia Davis, Zilma de Moraes Ramos de Oliveira
2 ed. - São Paulo - Cortez Editora - 1994 - 125 p.
Um Blog direcionado a Educação Infantil , com coletâneas de textos de educadores e psicólogos sobre o comportamento dos pequeninos.
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terça-feira, 27 de março de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
Gritar com as crianças: NÃO!

Quando os gritos viram rotina
Comunicação, respeito, obediência...
Quando um desses fatores falha, normalmente se ultrapassa o limite do bom senso e os pais procuram lançar mão de um recurso muito inadequado na educação das crianças, que é o GRITO.
Ultrapassar o autocontrole uma vez ou outra devido a alguma travessura da criança é até compreensível, afinal nem sempre a paciência está num bom nível.
O problema é quando os gritos passam a fazer parte do repertório comportamental dos pais e acabam virando rotina.
Das primeiras vezes que a criança ouve os gritos, juntamente com as ameças de castigo ou surras, ela até se sente intimidada, afinal não está acostumada com isso. Porém, conforme vai ouvindo, vai naturalmente se acostumando e consequentemente os gritos deixam de surtir o efeito desejado (a obediência), fazendo com que os pais tenham que gritar cada vez mais alto e com mais frequencia, gerando assim um grande desgaste emocional, abalando diretamente o relacionamento familiar.
A criança pequena desafia os pais o tempo inteiro, naturalmente está buscando limites, precisa sempre testar os pais para saber até onde pode ir. O problema é que na maioria das vezes os pais não sabem como definir esses limites e um grande erro que cometem é demonstrar a elas que não estão sabendo como agir. Exemplo:
"Eu não sei mais o que fazer com você!"
"Você vai me deixar louco (a)!"
E então os gritos passam a fazer parte da rotina:
"JÁ MANDEI VOCÊ ESCOVAR OS DENTES QUANTAS VEZES?!"
"VAI JÁ FAZER A LIÇÃO DE CASA!"
"JÁ FALEI PRA PARAR DE MEXER NAS MINHAS COISAS!"
Geralmente os gritos vem acompanhados de algum tipo de xingamento, demonstrando toda a raiva do momento.
Recuperar a voz de autoridade é um grande desafio para os pais. Eles chegam ao consultório completamente desprovidos de confiança em si mesmos, confusos, muitas vezes perdidos em suas atitudes e da maneira como se sentem, agem, com atitudes que não condizem com seu amor pela criança. O ideal é não deixar a situação chegar nesse ponto, a prevenção é sempre o melhor caminho a seguir. O valor do respeito deve ser ensinado desde cedo.
Dicas:
Fale com autoridade e firmeza na voz, olhando nos olhos da criança.
Diga que não vai aceitar que ela não obedeça (para os casos do comportamento inadequado já estar instalado)
Não diga que vai contar para o pai (ou para a mãe) o que ela aprontou quando ele(a) chegar do trabalho pois dessa maneira você mesmo está tirando sua autoridade.
E principalmente não use as "profecias autorealizáveis" tais como:
(Entre parênteses, o suposto pensamento infantil)
"VOCÊ NUNCA ME OBEDECE!"
(Eu nunca obedeço mesmo)
"VOCÊ SEMPRE FAZ TUDO ERRADO!"
(Se ela está dizendo que faço tudo errado é porque faço mesmo)
"QUANTAS VEZES EU TENHO QUE FALAR PRA VOCÊ ME OBEDECER?"
(Ah não sei, pode ser umas 10 vezes?)
"VOCÊ SÓ OBEDECE NA BASE DO GRITO!"
(Então tá, vou esperar os gritos pra obedecer)
"VOCÊ NÃO TEM JEITO MESMO, SÓ BATENDO!"
(Só tenho jeito se apanhar mesmo)
"EU QUERO VER VOCÊ APRONTAR DE NOVO!"
(Então mamãe/papai quer que eu apronte de novo? É isso?)
Com amor, fé e paciência, acredite que é capaz de fazer o melhor possível pela sua criança amada.
. AMOR E LIMITES NA MESMA MEDIDA .
. CONFIANÇA E PERSEVERANÇA .
Bianca Panini
Psicóloga Clínica CRP 03/03473
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Educação Infantil : Comportamento e desempenho escolar

Comportamento e desempenho escolar
Uma pesquisa, feita no campus de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, investigou a associação entre comportamento e desempenho escolar entre meninos e meninas. O estudo indica como a qualidade das relações estabelecidas na escola de educação infantil pode afetar o aprendizado das crianças.
O trabalho avaliou o comportamento das meninas mais positivamente, ao passo que o desempenho escolar foi mais fortemente associado aos comportamentos interpessoais no grupo masculino. Para ambos os sexos, foram avaliados o comportamento - na relação com a tarefa, com os colegas e com o professor - e o desempenho a partir de sondagem de leitura e escrita.
Comportamentos interativos
Segundo a coordenadora do estudo, a professora Edna Maria Marturano, da Faculdade de Medicina, os resultados destacam uma clara associação entre a qualidade dos comportamentos interativos, avaliados pelo professor no fim do ano, e o desempenho em tarefas que envolvem noções básicas de leitura e escrita.
"Mas as associações encontradas não traduzem em si uma relação de causa e efeito. Interpretamos os resultados com base em autores que acompanharam as crianças desde o início até o fim do ano e observaram que a qualidade dos relacionamentos da criança no primeiro momento influenciava o desempenho posterior", disse Edna à Agência FAPESP.
A pesquisa, que foi publicada na revista Psicologia em Estudo, foi desenvolvida em escolas públicas municipais do interior de São Paulo. Participaram 133 alunos, sendo 68 meninos e 65 meninas, de 5 a 7 anos de idade, e seus professores (sete mulheres e um homem). O trabalho é resultado da dissertação de mestrado da psicóloga Elaine Cristina Gardinal, sob orientação de Edna.
Comportamentos dos meninos
Os professores consideraram os meninos menos respeitosos, tolerantes e controladores no relacionamento com os colegas, mas mais agressivos. Nas atividades escolares, eles são vistos como menos ordeiros e aplicados, mas mais inquietos, salientes, desatentos, retraídos, confusos e descuidados.
Gênero do professor determina avaliações
Segundo Edna, o fato de a maioria dos professores ser do sexo feminino é uma variável que pode influenciar no resultado. "A pesquisa discute essa possibilidade. Professoras de crianças pequenas tendem a ignorar com mais freqüência os comportamentos inadequados das meninas, prestando mais atenção aos dos meninos. Elas respondem mais, e com mais atenção negativa, aos comportamentos dos meninos."
"No entanto, não temos conhecimento de estudos comparativos mostrando que os professores homens agem ou agiriam de modo diferente. Eu mesma tive oportunidade de observar um professor de educação infantil que ignorava o choro das meninas e repreendia os meninos quando choravam, dizendo que 'homem não chora'", disse.
Comportamento e capacidade intelectual
As autoras aplicaram três instrumentos para avaliar o comportamento, a capacidade intelectual e noções de leitura e escrita, respectivamente: Questionário para Caracterização do Desempenho e do Comportamento da Criança no Ambiente Escolar, Matrizes Progressivas de Raven e o método de Sondagem de Leitura e Escrita Inicial.
Elaine e Edna detectaram que meninos e meninas com melhores resultados em escrita e, principalmente, em leitura, foram avaliados como menos dependentes nos relacionamentos com o professor e com os colegas de classe. A dependência é apontada como prejudicial ao desempenho escolar das crianças na educação infantil.
"Dentre as possíveis interpretações podemos conjecturar, por exemplo, que uma criança mais dependente, pelo fato de tomar menos iniciativas, terá menos oportunidades de fazer descobertas, de enfrentar desafios, de buscar soluções por si mesma e de, portanto, aprender", afirmou Edna.
Importância dos relacionamentos
Em relação ao relacionamento com os colegas, meninos mais agressivos, provocativos, desrespeitosos, intolerantes e explosivos tiveram desempenho mais fraco na sondagem de escrita e leitura.
As pesquisadoras ressaltam que o estudo tem algumas limitações, como ter sido baseado no julgamento de professores e no fato de ser um correlacional, não havendo, portanto, uma relação direta entre causa e efeito.
Segundo Edna Marturano, os resultados, ainda que estejam alinhados com a literatura internacional, estão longe de ser definitivos e precisam ser qualificados por meio de replicações sistemáticas que explorem fatores associados, como variáveis do contexto e de práticas pedagógicas.
"Consideramos como contribuição da pesquisa o fato de ela propiciar uma reflexão sobre a importância dos relacionamentos na educação infantil. Incluímos apenas alunos que estavam na escola há menos de um ano e que, portanto, tiveram de se adaptar a um ambiente estranho, com colegas e adultos desconhecidos", disse.
"Sabe-se que problemas relacionais detectados nessa fase tendem a se perpetuar nos anos do ensino fundamental. Cabe, assim, ao professor da educação infantil a importante tarefa de ajudar a criança nessa adaptação e ele precisa ser capacitado para a tarefa, por meio de formação teórico-prática específica", destacou.
Alex Sander Alcântara - Agência Fapesp
As aulas começaram!

Quando o período letivo de aulas inicia e as crianças começam a estudar, algumas delas podem sentir dificuldade em se adaptar ao novo ambiente num primeiro momento. Os novos professores ou os colegas novos, podem causar uma grande ansiedade, e nessa hora os pais tem de estar presentes para ajudar os filhos.
Novos Hábitos
Para se adaptar ao novo ambiente, os alunos terão que seguir novas regras de horário, além do convívio diário com professores que eles não conhecem e também os novos colegas, que eles terão de conquistar a amizade. Pela grande quantidade de novidades que esperam a criança, ela pode apresentar um comportamento de fazer birra para não entrar na escola, pelo pânico que a nova situação pode provocar nela. O papel dos pais nessa fase é amenizar os medos de seus filhos, para que eles consigam enfrentar essa nova etapa de vida com mais confiança.
Educação Infantil
Opinião de Especialistas
Segundo especialistas em psicopedagogia é muito importante que os pais demonstrem a confiança que eles tem na nova escola, para que a criança também possa sentir o mesmo. O filho deve entender que o novo local escolhido para ele estudar foi o melhor que os pais puderam fazer.Outra sugestão é mostrar as crianças que o medo e a ansiedade que sentem é normal, e elas vão com certeza superar essa fase de adaptação. Porém, para que isso aconteça é necessário que eles também se esforcem para conseguir gostar da nova escola. Os pais devem estar conscientes de que as crianças com menos idade não tem ainda muitos recursos emocionais para enfrentar as mudanças, pois quando estão longe de seus pais, tudo de novo que acontece as deixam inseguras. O que não acontece com tanta frequência em crianças maiores, pois elas tem mais maturidade e percebem melhor os fatos, sendo por isso mais fácil sua adaptação. Outra orientação é sempre preparar os filhos para as mudanças que vão acontecer na sua vida.
Escola Nova para Crianças
Chamar Atenção dos Pais
Para alguns psicopedagogos,as crianças podem apresentar esse comportamento, somente para chamar a atenção dos pais. Por isso se após os conselhos deles, a criança insistir em não querer ir até a escola, os pais terão que ir até lá com os filhos. Depois de algum tempo, os pais podem ir sem avisar para verificar como está a adaptação da criança. Se ela ainda não estiver bem, vale a pena conversar e explicá-la que não é possível haver mudança de escola no meio do período letivo. Segundo os especialistas em educação infantil, esse comportamento costuma ser somente uma fase que a criança consegue superar depois de algum tempo de convivência na nova escola. Porém, se ele permanecer por mais tempo é aconselhável que os pais consultem um psicólogo infantil para verificar se o problema de adaptação não é uma barreira emocional mais séria, que a criança não está conseguindo superar
Salete Dias.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Criança: A aprendizagem da leitura e da escrita

A aprendizagem da leitura e da escrita
Vários autores, estudiosos do processo de aquisição da leitura e da escrita, concordam que ele se inicia muito antes do que geralmente se imagina, quando a criança, mesmo sem frequentar a escola, começa a tomar contato com materiais escritos, em casa, na rua, ou em qualquer lugar onde se encontre.
Entre esses pesquisadores, uma autora argentina e também psicopedagoga chamada Emília Ferreiro contribuiu bastante para o entendimento de como ocorre o processo de aprendizagem da linguagem escrita. Segundo afirma, a criança pensa sobre a escrita, formulando hipóteses sobre ela, como maneira de compreender o que significa.
Essas hipóteses acontecem em todas as crianças e vão evoluindo desde a fase pré-silábica, na qual ainda não há intenção de representar através da escrita os aspectos sonoros da fala, até chegar ao padrão alfabético, que é aquele no qual a criança associa sons falados a letras escritas.
Dessa forma, quando a criança faz traços contínuos no papel e atribui-lhes significado (como, por exemplo, quando escreve “hjfgdklgjhergrqilurgsd” e lê O menino caiu), ela está escrevendo, ou seja, está fazendo uma atividade investigativa sobre a escrita, que será importante para que ela possa evoluir gradativamente em sua aprendizagem. Por isso, essas tentativas da criança não devem ser motivos de chacota, ao contrário, devem ser incentivadas e reforçadas.
Estímulo à aprendizagem
Durante a aprendizagem da escrita, a criança passa por várias fases até chegar à hipótese alfabética, na qual realiza uma análise sonora da palavra que vai escrever, fazendo corresponder a cada som de fala um caráter escrito. A produção escrita da criança torna-se legível para o adulto, embora não haja ainda o domínio das regras de ortografia, o que ocorre posteriormente, de forma gradativa. Também esse processo deve ser estimulado, através da apresentação de materiais escritos na escola e no ambiente familiar, já que trata-se de uma aquisição cultural, ou seja, que não ocorre apenas internamente na criança.
Nessa fase de escrita alfabética, as crianças podem escrever palavras como, por exemplo, “dinosauro” (dinossauro), “tatussinho” (tatuzinho) e “jacare” (jacaré). É necessário que estejam em contato com vários materiais escritos, através dos quais possam perceber as diferenças no padrão de escrita do idioma e compará-los com sua maneira de escrever para que adquiram a escrita ortográfica.
É importante ressaltar que podem ocorrer diferenças individuais quanto à idade em que as crianças passam por cada fase de evolução da escrita. Essas diferenças têm a ver também com o maior ou menor interesse e estimulação (principalmente da família) em relação à oferta de material significativo de leitura e escrita.
Contudo, é desejável que os pais observem a evolução de todo esse processo e estejam atentos a dificuldades específicas, que podem necessitar de ajuda profissional, principalmente quando a criança está em uma fase inicial do processo e a requisição escolar é de uma fase mais adiantada. Nesses casos é necessário diagnosticar os fatores que podem estar interferindo para, então, fazer com que a criança evolua e acompanhe o que é pedido para seu nível de escolaridade.
Como já foi citado, é importante que a criança possa ter acesso ao material escrito para que construa o conhecimento da linguagem escrita.
Leitura com prazer
A leitura, parte desse processo, também desenvolve-se de forma gradual, é um hábito a ser adquirido e deve ser fonte de prazer e não apresentada de forma obrigatória através de imposição ou cercada de castigos e ameaças.
Sua apresentação deve ocorrer o mais cedo possível na vida da criança, já no ambiente doméstico, através da família e dos pais. Estes são os primeiros incentivadores, promovendo a aproximação com a linguagem desde o momento em que cantam para os bebês, brincam com eles usando histórias, adivinhações, rimas e expressões folclóricas, ou folheiam livros e revistas buscando figuras conhecidas e perguntando sobre seus nomes.
A leitura reflete-se de forma significativa na escrita da criança (e do adulto também), na medida em que, ao ler, memorizamos as correspondências ortografia-som sem memorizar regras, e apreendemos também as exceções das mesmas, além de ampliarmos o vocabulário e o conhecimento das estruturas de diferentes textos, o que aumenta o repertório e reflete-se em uma escrita melhor.
Isso explica as diferenças quanto à apropriação da ortografia (saber, por exemplo, que a palavra “onça” deve ser escrita com “ç”, apesar do som de fala ser “s”). Escrever respeitando os padrões da língua é um processo gradual, mas depende muito da estimulação que a criança recebe quanto ao uso significativo (para ela) de material escrito.
Os adultos que participam da vida da criança têm papel fundamental no aprendizado da leitura e escrita. Por isso é importante que sejam modelos de leitura, que leiam freqüentemente para a criança e que introduzam a leitura em sua vida o mais cedo possível. Afinal, ler é um hábito a ser desenvolvido e, como todos os hábitos, só se instala se for realizado muitas vezes.
É fundamental entender que essa aprendizagem é gradativa, que devem ser respeitadas diferenças individuais e não se deve punir e criticar a criança por ela não estar lendo ou escrevendo como outra da mesma idade. Isso poderia atrapalhar o seu desenvolvimento, gerando nela sentimentos de insegurança e incapacidade.
Ao contrário, deve-se compreender que, quanto mais à criança associar a leitura e a escrita com atividades úteis e que lhe dêem prazer, maior será o seu desejo de aproximar-se delas, maior facilidade ela terá de aprendizado (afinal, aprende-se a ler e escrever lendo e escrevendo) e maiores chances ela terá de levar a leitura e a escrita como aliadas para toda a vida.
Dra. Tânia Regina Belo
Psicopedagoga e Fonoaudióloga
Telefone: (11) 6674-2015
terça-feira, 28 de junho de 2011
A criança hiperativa

Precisamos deixar claro que agitação não é sinônimo de hiperatividade ou Transtorno do Déficit de Atenção por Hiperatividade - (TDAH), este é um transtorno mental e, em geral, em crianças com idade escolar.
Essas crianças são vistas como problemáticas pelas pessoas que convivem com ela, o que gera muita angústia para seus pais pela falta de disciplina, dificuldade de concentração, de respeitar regras, irritabilidade, etc.
Crianças indisciplinadas, birrentas, malcriadas, falantes e muito espertas, principalmente para o que lhes interessa, são vistas popularmente como hiperativas, termo usado erroneamente.
Como já mencionei, a hiperatividade é um transtorno, uma vez que causa muitos problemas para a criança, principalmente de relacionamento e, que quando tratado por especialistas como neurologista, psiquiatra, psicólogo, ou outros profissionais especializados nessa área, pode ser bem administrado.
As crianças inquietas devem ser observadas pelos pais, porque muitas vezes esses comportamentos estão ligados a problemas sociais ou familiares ou até mesmo físico.
Um exemplo disto é o de um bebê muito chorão e agitado não satisfeito com nada e que não responda a nenhum estímulo. A mãe preocupada, leva-o ao médico e o profissional constata uma surdez. Na gestação a mãe teve rubéola o que gerou o problema do bebê, ou seja, o bebê tem um problema físico, o que o deixa irritado e agitado.
Já foi constatado que mães que tiveram uma gravidez estressante têm crianças mais agitadas.
O que percebo é que a maioria das crianças que são muito estimuladas desde bebê, são extremamente agitadas e mal comportadas.Toda criança precisa ser respeitada e por mais energia que tenha, necessita de descanso.
Muito estímulo é prejudicial.
Estes estímulos também estão ligados a atividades extras que tomam conta de todos os dias da sua semana e ainda obrigam a criança a dar conta do recado.
Toda criança precisa estudar, praticar esportes, ou podem ter outras atividades extra-curriculares, como fazer inglês, etc. Mas precisam, principalmente, brincar e descansar para aliviar suas tensões e isso deve ser respeitado.
Seu filho poderá ter Transtorno de Défict de Atenção por Hiperatividade se apresentar esses comportamentos juntos:
•Dificuldade de concentração (vive no mundo da lua)
•Não escuta quando lhe dirigem a palavra
•Não aceita tarefas que envolvam trabalho mental
•Não se envolve em brincadeiras e, não as mantém por muito tempo
•Tem dificuldade em aguardar sua vez
•Fala em demasia
•Nunca pára sentado
•Não aceita regras
•Está ligado dia e noite
Você deve ter percebido que talvez seu filho se encaixe em um desses tópicos só que: tudo isso deve acontecer em casa, na casa do amigo, na escola, no passeio, ou seja, em situações agradáveis e desagradáveis. Neste caso procure ajuda de um profissional.
Caso contrário verifique se os fatores ambientais não estão favoráveis, como a escola, desentendimento dos pais, perda de alguém importante, etc.
Muitas vezes a agitação da criança é o reflexo do que ela está vivendo no seu dia a dia.
Mirene F. M. A. Marques
sábado, 29 de maio de 2010
Como trabalhar Com Educação Infantil?

Sendo a Educação Infantil a fase inicial da vida escolar da criança, necessário se torna que os profissionais envolvidos neste processo - especialmente educadores - apresentem aspectos condizentes à realidade em questão. Certas características devem ser observadas ao se contratar este profissional e eticamente falando - ao assumir a responsabilidade de se trabalhar com crianças. Foram elencadas abaixo vinte dicas e características que um profissional deve ter para realizar um trabalho prazeroso e significativo com crianças pequenas,
1- GOSTAR DE CRIANÇAS é imprescindível que o profissional goste de crianças , afinal nesta fase elas exigem paciência e amor a todo momento. Pressupõe-se que quem gosta de crianças, goste também de trabalhar com elas. O trabalho com pequenos requer disposição, carinho, responsabilidade e uma energia imensa proviniente somente de quem gosta do que faz.
2- AGILIDADE é uma característica de peso considerável, pois a criança corre, pula, caí, levanta, descarrega energia e se envolve em situações repentinas de risco, onde a agilidade do profissional pode evitar acidentes graves com os pequenos.
3- BOM PREPARO FÍSICO, nesta fase a maioria das brincadeiras são realizadas no chão, em rodas de conversa ou em círculos programados para as atividades, para tanto o profissional necessita de boa disposição física para sentar, levantar, pular, engatinhar, enfim participar de todas as atividades que propõe à criança. Além do que, os pequenos adoram presenciar adultos executando as mesmas atividades que eles.
4- SER ÉTICO, assuntos relacionados à instituição e suas famílias devem ser preservados. Nesta fase é comum crianças comentarem intimidades das famílias - estes casos ajudam os profissionais a conhecerem a realidade de vida da criança - e também alguém da família procurar apoio , confiando seus problemas a pessoas que trabalham na Instituição. Todavia, estes fatos somente poderão ser comentados em casos extremos- a pessoas especializadas ( Pedagogos, Psicopedagogos, Psicólogos e Assistentes Sociais) e com a aprovação da Equipe dirigente da Instituição. Tratar aos colegas com respeito e cordialidade, evitando brincadeiras desnecessárias e abusivas, afinal a criança observa o professor e o imita a todo momento.
5- SABER OUVIR OS RELATOS INFANTIS, nestes momentos o profissional poderá detectar possíveis problemas de várias naturezas, pelos quais a criança poderá estar passando - ou até mesmo sobre sua personalidade.
6- SER FIRME E AMÁVEL AO MESMO TEMPO, a criança testa o adulto a todo instante e quando percebe que está vencendo, se torna indiscilplinada e resistente às regras de convivência. Porém, a amabilidade deve ser cultivada, assim a criança se sentirá segura, afinal está em um ambiente onde todos são estranhos a ela. Então, caberá ao educador conciliar ambos aspectos, ponderando suas atitudes e conscientizando a criança sobre seus deveres, sempre que necessário.
7- RECEBER BEM OS PEQUENOS E SEUS FAMILIARES, os pais precisam se sentir seguros em relação ao local e às pessoas em que estão confiando seus filhos. Portanto, o profissional deve recebê-los sempre com cordialidade, esclarecendo suas dúvidas, tranquilizando-os em seus anseios, se disponibilzando a atendê-los quando necessitarem e utilizando estratégias que motivem a criança a gostar de ir para a instituição.
8- SER CRIATIVO, o planejamento pedagógico deverá nortear o trabalho do educador, todavia, poderá ser alterado sempre que a atividade proposta não estiver despertando o interesse da turma, para isso o profissional deverá ser criativo e tornar a atividade em questão mais prazerosa ou até mesmo lançar mão de outra atividade. Elaborar um plano de aula focado em situações cotidianas das crianças ou da Instituição, encontrando ou criando músicas, histórias, jogos, atividades e brincadeiras que enfatizem o tema do planejamento é uma ótima estratégia para um trabalho diversificado.
9- QUERER APRENDER, a todo momento surgem fatos inesperados quando o assunto é criança, e nem sempre o profissinal está preparado para resolver tudo o que acontecer, portanto, deverá ter humildade para pedir ajuda e querer aprender com os mais experientes.
10- UTILIZAR ROUPAS ADEQUADAS, caso a instituição não adote uniforme, o ideal é camiseta e calça de malha ou jeans - mais largo - para não prejudicar o desempenho das atividades, e tênis ou sandálias rasteirinhas. Roupas decotadas, saias, sandálias de salto, roupas apertadas, transparentes, miniblusas ou tomara que caia devem ser evitados, pois além de inibir o trabalho do profissional, desperta a tenção de pais, colabores, profissionais e demais pessoas envolvidas no processo.
11- NÃO DEIXAR AS CRIANÇAS SOZINHAS, ter consciência de que as crianças não podem ficar sozinhas em nenhum momento, caso tenha necessidade de se ausentar do espaço onde se encontra com a turma, peça a uma criança que chame outro profissional para assumir seu lugar temporariamente. Um segundo sozinhas, os pequenos cometem atitudes inesperadas.
12- JAMAIS DÊ AS COSTAS ÀS CRIANÇAS, ao falar com alguém na porta da sala - ou em qualquer outro espaço - jamais dê as costas às crianças, em fração de segundos acontecem muitos problemas sem que o educador esteja vendo.
13- TRABALHAR SEU TOM DE VOZ, não falar em tom áspero, irônico e volume alto - assim a criança só compreenderá suas solicitações quando as mesmas forem feitas com gritos. O ideal é manter um tom baixo e calmo, todavia caso haja necessidade de uma alteração, que não haja grito e sua mudança na tonalidade da voz..
14- GOSTAR DE MÚSICA, nesta fase a musicalização é muito utilizada. O profissional deverá gostar, conhecer e querer aprender mais e mais músicas, de preferência acompanhadas de gestos que ajudam muito no desenvolvimento infantil.
15- SABER CONTAR HISTÓRIAS, sim pois contar histórias não é ler o livro - é contar com emoção, despertando a curisidade e a imaginação da criança.
16- CONHECER AS ÁREAS DO CONHECIMENTO A SEREM TRABALHADAS: Racíocinio lógico matemático, Linguagem oral e escrita, Psicomotricidade, Áreas Perceptivas, Conhecimento Social, Áreas de expressão artística e cultural, Valores Humanos,Religiosidade, Consciência Ecológica e Conhecimento físico - elaborando seu plano de aula enfatizando todas as áreas.
17- LER E EXECUTAR A PROPOSTA PEDAGÓGICA E O REGIMENTO DA INSTITUÇÃO, assim o trabalho do profissional terá embasamento teórico e sustentabilidade pedagógica.
18- SABER ELABORAR PROJETOS DE AÇÃO PEDAGÓGICA envolvendo temas atuais, o trabalho com projetos facilita o trabalho do educador, porém, estes projetos devem ser executados com criatividade envolvendo temas de interesse das crianças e ao mesmo tempo objetivando uma conscientização sobre o tema proposto. Os projetos devem ser constantemente avaliados, caso contrário, não terão significado ao processo educacional.
19- DECORAR E REDECORAR O AMBIENTE SEMPRE QUE NECESSÁRIO, os olhos da criança se cansam com facilidade de determinadas decorações, para evitar esta situação, o ideal é utilizar cores claras, tons pastéis e desenhos acompanhados de paisagens, passarinhos, vales, árvores e flores, pois acalmam os pequenos.
20- RESERVAR UM ESPAÇO NA SALA PARA EXPOSIÇÃO DAS PRODUÇÕES DAS CRIANÇAS e convidar os demais profissionais da Instituição, bem como os familiares dos pequenos, para visitarem a exposição de trabalhos delas. Pode-se colocar um nome na exposição e um pseudônimo para o autor da obra. Expor trabalhos nos corredores de entrada da Instituição - de forma criativa, sempre identificados e relatando os objetivos- também apresenta bons resultados.
É importante ressaltar que não há receita pronta para se trabalhar em nenhum nível educacional, mas a troca de experiências tem garantido excelentes resultados aos profissionais. Entretanto, a chave do sucesso de qualquer trabalho consiste em gostar do que faz. Quando se faz o que se gosta, as barreiras se tornam transponíveis e as amarras mais frouxas.
Angela Adriana de Almeida
Formada em Magistério Graduada em Pedagogia com Supervisão Escolar; Especialista nas áreas de Psicopedagogia Institucional; Docência Universitária e Inspeção Escolar.Trabalho como professora de Ensino Fundamental nas redes Estadual e Municipal,ministro minicursos e palestras com os temas Respeitando e Convivendo Com as Diferenças e Bullying em diversos contextos sociais.
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